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CRISTIANA ALTINO DE ALMEIDA

Médica especializada em Medicina Nuclear e Endocrinologia. Uma habitante a mais de Evoramonte onde vivo com Jan Kremer, jornalista e escritor holandês. Escolhemos Portugal para viver parte do ano. Outra parte pretendemos passar no Brasil, na Holanda e viajando. Queremos aproveitar nosso tempo priorizando qualidade de vida.

UM FANTÁSTICO MUSEU NA HOLANDA: O MUSEU KRÖLLER-MÜLLER.

O Museu Kröller-Müller é um museu de arte que inclui um jardim de esculturas, localizado no parque Nacional de Otterlo na Holanda (Hoge Veluwe National Park), província de Gelderland. Falo desse belo museu como digno de um dia nos passeios na Holanda. Primeiro porque é o segundo museu com mais pinturas de Vincent van Gogh na Holanda e no mundo, só perdendo para o Museu van Gogh, em Amsterdam. Segundo porque o Jardim das Esculturas é um divino passeio ao ar livre entre obras de arte modernas e bem distribuídas.

Uma foto do gramado, das árvores secas do outono do Jardim das Esculturas.

O museu tem uma considerável coleção de pinturas de van Gogh incluindo o "Cafe Terrace at Night" e uma versão do "The Potato Eaters".   Tem também pinturas de outros artistas incluindo Piet Mondrian, Seurat, Geoges Braque, Paul Gauguin, Renoir, Cézanne  e Pablo Picasso. Na realidade é uma representação incrível da arte contemporânea dos séculos XIX e XX, com obras importantes do impressionismo, do cubismo e do simbolismo.

Não é um museu conhecido nos circuitos turísticos especialmente para brasileiros mas em 2015 teve 380.000 visitantes. Foi fundado po Helene Kröller-Müller uma ávida colecionadora de arte, uma das primeiras a reconhecer o gênio de Van Gogh. Sua coleção foi doada ao país em 1935 e o museu aberto em 1938. O jardim das Esculturas (Beeldentuin) foi adicionado em 1961, situado dentro de um enorme parque florestal, um dos maiores da Europa, e tem uma excelente coleção de esculturas modernas e conteporâneas. O jardim reflete o conceito da colecionadora sobre a simbiose entre arte, arquitetura e natureza. O que faz dela uma mulher moderna. A coleção inclui Auguste Rodin (como amo o Museu Rodin em Paris), Henry Moore, Jean Fabre, Jean Dubuffet e muitos outros artistas. Mostra a arte dos anos sessenta,  arte  avant-garde e a arte contemporânea de várias nacionalidades.

Rietveldpaviljoen de Gerrit Rietveld e a escultura "Squares with Two Circles" de Barbara Hepworth.

A mesma escultura vista através do pavilhão Rietveld.

Em 1955 Gerrit Rietveld, o grande arquitedo holandês,  desenhou um pavilhão para exposição de pequenas esculturas para o Sonsbeek Park em Arnhem. Um pavilhão desenhado como temporário, para existir somente no período de uma exibição em Arnhem encontrou seu lugar no Jardim das Esculturas, conhecido com o Pavilhão Rietveld, sendo inaugurado em 1965. O museu reconstruiu um pavilhão definitivo em 2010, o mais próximo possível do desenho de Rietveld, mas com uma estrutura durável.

O museu fica a duas horas de trem ou de ônibus de Amsterdam e vale a pena uma visita de um dia. Há uma boa cafeteria para lanchar. 

A história do museu e de Helene envolve uma interessante história de amor, já que ela, uma rica mulher morando em The Hague se envolveu com uma pintor medíocre holandês chamado Bremmer com quem aprendeu a gostar de arte. E se apaixonou pela obra do ainda desconhecido Vincent van Gogh , comprando suas pinturas e desenhos obsessivamente, sonhando em construir um museu o que nunca fez. Durante sua vida Helene comprou cerca de 90 obras desse pintor. E pela sua doação, pouco antes de sua morte, o museu foi construído de certa forma realizando seu sonho e expor as obras de arte que tanto amava.

 

K-piece, de Mark Di Suvero, artista de origem italiana radicado nos Estados Unidos.

Two Adjacent Pavilions, de Dan Graham, artista americano, obras de 1978 e 2001.

56 Vaten (56 Barris), de Christo, (Christo Vladimirov Javacheff), americano de origem búlgara.

Chapters/ Hoofdstukken de Jean Fabre, artista belga.

Aqui a natureza sofreu uma intervenção de arte e mesmo assim as árvores predominam. A inserção artística é casual e no entanto é bela e fenomenal: as cabeças em pedestal do escultor Jean Fabre, da Bélgica. Houve uma grande exposição das obras desse genial e múltiplo artista no verão de 2011 nesse museu holandês. Uma parte de seus trabalhos foi comprada pelo museu, essas cabeças estranhas, chamadas "Chapters", uma série de auto-retratos, parte de um trabalho maior de dezoito esculturas: Hoofdstukken, I - XVIII, 2010. Cada uma das cabeças tem uma excrescência que não se ajusta ao ser humano. Chifres, antenas, orelhas e dentes descomunais. O próprio Fabre disse acreditar que todos nós somos esquizofrênicos. Talvez em cada um de nós haja um ganster, um gênio, um palhaço ou um charlatão. Somos máscaras desses caracteres. São dezoito auto-retratos esculpidos, dos quais oito estão nesse jardim, entre árvores. São todos diferentes porque cada um veste diferentes personalidades.

Rocky Lumps, escultura de concreto pintado, de Tom Claassen, artista holandês.

Wolkenherder (Berger des Nuages, Pastor de Nuvens), Jean Arp.

Jean Arp, artista francês/ alemão usa dois nomes: Jean Harp como francês e Hans Arp quando se refere a sis mesmo como alemão. Foi um dos artistas mais criativos do início do 'seculo passado. Uma de suas frases interessantes:

"A arte é uma fruta que cresce no homem, como uma fruta n uma planta, ou uma criança no ventre da sua mãe. Mas, enquanto o fruto da planta e o fruto do ventre da mãe assumem  formas autônomas e naturais, a arte, o fruto espiritual do homem, geralmente mostra uma semelhança absurdo ao aspecto de alguma outra coisa."

Grote Figuur I, Hans Aeschbacher, escultor suiço.

 Staande Figuur (Figura em pé), 1958-1959, Fritz Wotruba, escultor austríaco.

 

Niobe de Constant Perneke, pintor e escultor belga, do expressionismo flamengo.

De Grote Pénélope, 1912, ao fundo, de Émile-Antoine Bourdelle, escultor francês.

 

Zang der vocalen (Le chant des voyelles), Jacques Lipchitz, escultor cubista lituano.

Monitor, Kenneth Armitage, escultor inglês, conhecido pelos bronzes semiabstratos.

 
Privé sur Mobi, Bertrand Lavier, artista plástico francês contemporâneo.
 
Hurkende Vrouw, Femme accroupie, 1882, Auguste Rodin. Foto do site do museu.
 
Jardin d' émail, 1974, Jean Dubuffet, artista francês, adepto da arte bruta.
 
O museu tem várias pinturas e vários desenhos de Vincent van Gogh, como expliquei a segunda maior coleção no mundo de suas obras.
Uma de suas pinturas mais conhecidas está lá, Caféterras bij nacht, assim como uma versão de "The potato eaters". Muitos dos seus estudos de cabeças para essa série dos comedores, plantadores e colhedores de batatas estão lá. E uma das pinturas que mais gosto dele: Meisje in het bos. Tem apenas um auto retrato dele lá.

Caféterras bij nacht (Place du Forum), circa 16 september 1888, Vincent van Gogh.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Meisje in het bos, augustus 1882, Vincent van Gogh.
 
A loja do museu, como todas a lojas de museu deve ser visitada. Comprei cartões postais e um genial boneco de van Gogh, cuja orelha esquerda pode ser removida, já que é presa com velcro, pelo qual minha gata Mia se apaixonou chorando horrores para chegar lá junto na minha estante. Claro que escondia a orelha que terminaria mastigada.
 
De kat, O gato, de Bart van der Leck, artista holandê, fundador do movimento  De Stijl (neoplasticismo) com Piet Mondrian
 
 
O boneco de van Gogh com a orelha colada com velcro e minha gata Mia apaixonada.
 
Revendo as fotos e pesquisando sobre cada obra, que na hora fotografo sem muitos detalhes me deu uma enorme vontade de voltar a esse museu, agora conhecedora de muito mais do acervo. Vale a pena essa visita.
 
Referências:
 
1 - Kröller-Müller Museum: http://krollermuller.nl
                                                                        https://en.wikipedia.org/wiki/Kröller-Müller_Museum
 
 

3 - Hoge Veluwe National Park:  https://www.hogeveluwe.nl