BLOGUEIRA

CRISTIANA ALTINO DE ALMEIDA

Médica especializada em Medicina Nuclear e Endocrinologia. Uma habitante a mais de Evoramonte onde vivo com Jan Kremer, jornalista e escritor holandês. Escolhemos Portugal para viver parte do ano. Outra parte pretendemos passar no Brasil, na Holanda e viajando. Queremos aproveitar nosso tempo priorizando qualidade de vida.

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XXV - UMA VISITA ALEGRE E CHUVOSA A PORTO

Uma cidade sob chuva e céu cinzento por mais bonita que seja dá uma sensação de tristeza ou de melancolia. Você morre de vontade de sair e ouve a chuva incessante. Dessa vez bem mais que uma chuva porque foi uma chuva torrencial de fazer corredeiras nessa cidade cheia de ladeiras e magnífica nessa parte antiga em que estávamos hospedados. Mesmo assim os dias eram tão contados que não apetecia ficar em casa ouvindo e vento as gotas de água nas janelas, no chão e nos telhados.

Tivemos coragem, vestimos tudo que poderia ser impermeável, casacos com capuz, eu o meu casaco da Burberry para chuva e meia estação com um capuz que ultrapassa a fronte em um palmo como um pequeno chapéu-de-chuva. Tinha enfrentado uma semana de chuva em Paris sem encharcar. Esqueci de colocar as galochas que tinha usado na viagem na véspera porque era o maior volume a evitar na pequena mala. Depois de prontos, eu, Jan, Ana Cláudia e Júnior, que tinham acabado de chegar de Lisboa já molhados desde o aeroporto, fomos andar para visitar a mais famosa livraria de Portugal, a mais antiga e a mais bonita. Afinal se você está no inferno é melhor atravessar o inferno. Quem sabe o tempo ia se transformar? Também somos daquelas pessoas que queimam gravetos úmidos, como dizia o poeta irlandês Yeats -"Some burn damp faggots". O mesmo que falar que em vez de mel chupamos abelhas.

 Era nossa primeira visita a Porto, uma pequena metrópole de 45km2 com uma população de 240 mil pessoas, capital do Norte. Claro que sua área metropolitana é bem maior e mais abrangente sendo assim a segunda cidade mais populosa de Portugal. O centro histórico onde estávamos é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1996.

Em cada cidade sempre temos um foco a conhecer fora a boa comida local e as bebidas e nisso o Porto é insuperável. Nosso desejo e primeira visita era conhecer a Livraria Lello, perto de nós no mapa e longe demais pela chuva e pelas ladeiras. A Lello é uma das mais belas livrarias do mundo e chegamos lá para enfrentar uma fila, nessa chuva, acreditem se quiser, de mais de trezentas pessoas. Daquelas filas duplas de enganar os olhos. Portugueses , brasileiros, turistas de várias nacionalidades, poucos asiáticos em contraste com Lisboa. E ficamos lá heroicamente, sem café da manhã, cada vez mais molhados e ainda esperançosos. Júnior teve uma brilhante ideia e saiu à procura de capas plásticas e guardas-chuva, compradas na Flying Tiger. Uma loja dinamarquesa e por isso tão alegre. Estávamos vestidos de pierrot em dia de Carnaval e terminamos desistindo de tomar banho encasacados e ainda mais num dia bem frio. Saímos pelas cidade a procura de um bom lugar para comer, literalmente cantando na chuva ou mais literalmente morrendo de rir na chuva. Tão engraçado nosso grupo de quatro pessoas coloridas que todo mundo olhava e ria e um casal de turistas ingleses tirou monte de fotos com nossas câmaras. Uma pena não ter visitado a livraria. Uma delícia esse passeio molhado, ensopado, encharcado. Meu casaco que cantei à prova dágua estava ensopado. Por sorte estava vestindo um conjunto de material de paraquedista que estava na moda no Brasil e que tinha usado em Paris. Jan nunca ficou tão molhado na Holanda. O mesmo com Júnior e seu casaco impremeável e menos com Ana Claudia salva pela Zara.

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS:

1 - WILLIAM BUTLER YEATS.

In Memory of Major Robert Gregory

I

NOW that we're almost settled in our house
I'll name the friends that cannot sup with us
Beside a fire of turf in th' ancient tower,
And having talked to some late hour
Climb up the narrow winding stairs to bed:
Discoverers of forgotten truth
Or mere companions of my youth,
All, all are in my thoughts to-night being dead.

II

Always we'd have the new friend meet the old
And we are hurt if either friend seem cold,
And there is salt to lengthen out the smart
In the affections of our heart,
And quarrels are blown up upon that head;
But not a friend that I would bring
This night can set us quarrelling,
For all that come into my mind are dead.

III

Lionel Johnson comes the first to mind,
That loved his learning better than mankind.
Though courteous to the worst; much falling he
Brooded upon sanctity
Till all his Greek and Latin learning seemed
A long blast upon the horn that brought
A little nearer to his thought
A measureless consummation that he dreamed.

IV

And that enquiring man John Synge comes next,
That dying chose the living world for text
And never could have rested in the tomb
But that, long travelling, he had come
Towards nightfall upon certain set apart
In a most desolate stony place,
Towards nightfall upon a race
Passionate and simple like his heart.

V

And then I think of old George Pollexfen,
In muscular youth well known to Mayo men
For horsemanship at meets or at racecourses,
That could have shown how pure-bred horses
And solid men, for all their passion, live
But as the outrageous stars incline
By opposition, square and trine;
Having grown sluggish and contemplative.

VI

They were my close companions many a year.
A portion of my mind and life, as it were,
And now their breathless faces seem to look
Out of some old picture-book;
I am accustomed to their lack of breath,
But not that my dear friend's dear son,
Our Sidney and our perfect man,
Could share in that discourtesy of death.

VII

For all things the delighted eye now sees
Were loved by him: the old storm-broken trees
That cast their shadows upon road and bridge;
The tower set on the stream's edge;
The ford where drinking cattle make a stir
Nightly, and startled by that sound
The water-hen must change her ground;
He might have been your heartiest welcomer.

VIII

When with the Galway foxhounds he would ride
From Castle Taylor to the Roxborough side
Or Esserkelly plain, few kept his pace;
At Mooneen he had leaped a place
So perilous that half the astonished meet
Had shut their eyes; and where was it
He rode a race without a bit?
And yet his mind outran the horses' feet.

IX

We dreamed that a great painter had been born
To cold Clare rock and Galway rock and thorn,
To that stern colour and that delicate line
That are our secret discipline
Wherein the gazing heart doubles her might.
Soldier, scholar, horseman, he,
And yet he had the intensity
To have published all to be a world's delight.

X

What other could so well have counselled us
In all lovely intricacies of a house
As he that practised or that understood
All work in metal or in wood,
In moulded plaster or in carven stone?
Soldier, scholar, horseman, he,
And all he did done perfectly
As though he had but that one trade alone.

XI

Some burn damp faggots, others may consume
The entire combustible world in one small room
As though dried straw, and if we turn about
The bare chimney is gone black out
Because the work had finished in that flare.
Soldier, scholar, horseman, he,
As 'twere all life's epitome.
What made us dream that he could comb grey hair?

XII

I had thought, seeing how bitter is that wind
That shakes the shutter, to have brought to mind
All those that manhood tried, or childhood loved
Or boyish intellect approved,
With some appropriatc commentary on each;
Until imagination brought
A fitter welcome; but a thought
Of that late death took all my heart for speech.
 

William Butler Yeats

 

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