BLOGUEIRA

CRISTIANA ALTINO DE ALMEIDA

Médica especializada em Medicina Nuclear e Endocrinologia. Uma habitante a mais de Evoramonte onde vivo com Jan Kremer, jornalista e escritor holandês. Escolhemos Portugal para viver parte do ano. Outra parte pretendemos passar no Brasil, na Holanda e viajando. Queremos aproveitar nosso tempo priorizando qualidade de vida.

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XXI - A MORTE DOS CARACÓIS

Domingo, 21 de agosto de 2016.

Ontem sábado, 20 de agosto de 2016, passei a manhã limpando o jardim e arredores. Nesse fim de verão, um dos mais quentes dos últimos anos, limpar o jardim significa além de tirar as ervas daninhas invasoras, tirar tudo que está absolutamente seco. São baldes e sacos de plantas secas, gramínias, aveia brava e mil folhas de várias espécies. Flores secas que já deitaram no chão suas sementinhas que vão renascer brevemente. Na primavera.

Tinham me dito que nessa época do ano não são os caracóis que comem as folhas das árvores e das parreiras, todas cheias de furos. Os caracóis gostam de dias úmidos e clima ameno e procuram sempre a sombra dos arbustos, andam devagar quase parando, atravessam enormes espaços para chegar a uma planta verdinha e deliciosa, sobem em vasos lisos atrás das folhinhas, deixam uma baba espumante aonde estão comendo.

Dizem que a baba dos caracóis cura feridas incuráveis desde que se amarre um caracol vivo dentro de uma atadura em torno da úlcera. São ditos da região e sempre baseados em algum caso de alguém que talvez fosse até amputar a perna mas se salvou pela baba do molusco. Realmente há uma substância na baba do caracol que age estimulando a produção de fibroblastos, aumentando os níveis de colágeno e elastina e algumas de suas enzimas contribuem para a reparação e cicatrização da pele. Pode ser usada e é usada até na produção de cosméticos.

Caracol é uma mania gastronômica em Portugal. Todos os restaurantes da região do Alentejo e de outras áreas exceto o Algarve tem uma placa: Temos caracóis. E por curiosidade sei que existem umas tantas diferentes espécies de caracóis, caracoletas e outros nomes que não lembro. Não consigo comer mesmo já tendo comido esgargot em um jantar chic francês. Escargot da gastronomia francesa x caracol português, ainda mais quando você já viu o caracol andando faz uma diferença bem grande no seu apetite. Na Itália o caracol também é uma iguaria chamada lumache.

Um caracol, realmente uma caracoleta, passeando na minha varanda antes do alto verão.

Primeiro achei umas casas vazias de caracóis de diferentes formas e tamanhos na calçada da varanda ao que minha amiga Gabriela disse: esses são aqueles caracóis que você colecionava num vidro, porque nesse alto verão os caracóis desaparecem. Não acreditei porque as cascas-casas inteiras que estavam dentro de um vidro tinha jogado fora no período das chuvas. Nas realidade essas casas que os caracóis carregam nas costas são chamadas conchas.

Então começando a limpar o jardim comecei a ver a abundânias dessas lindas casas-caracóis, como se fossem conchas marinhas, muito brancas, muito pequenas tipo 6 milímetros ou enormes, de outras cores, todas vazias. Anatomicamente são conchas  e essas conchas brotavam de todo monte de planta seca e até de dentro da palmeira morta. Todas vazias com seus habitantes ressecados e mortos pelo calor e pela secura da terra. Bravos animais enfrentando a seca e a praga desse calor quase infernal.

Alguma das conchas que encontrei e classifiquei numa foto abaixo.

Caracóis são moluscos gastrópodes terrestres de concha espiralada calcárea e existem 87 espécies deles em Portugal. As espécies aquáticas são chamadas de caramujos. Esses pobres bichinhos danosos aos jardins não tem audição e se guiam pelo tato e pelo olfato já que pouco enxergam com seus olhos situados nas pontas das antenas maiores. São vorazes e de hábitos noturnos. De dia eles se escondem na parte úmida, na sombra de alguma planta. Vorazes porque em dias frescos consomem 40% do seu peso em alimentos vegetais.

Caracol é estudado seriamente e em 2009, ano dedicado a Darwin e à evolução, foi feito um estudo para contar as espécies de caracóis terrestres e saber se seu polimorfismo influi na sua sobrevivência. Como já expliquei existem 87 espécies desse molusco gastrópode em Portugal, predominantemente Cepacea nemoralis, em maior número no litoral e quase ausentes no Algarve.

Temos todos as cinco espécies mais comuns em Portugal aqui no jardim.

Mas alguns predadores eliminam essa quase praga para os jardins e o principal deles é o tordo, ave que não tem nada de meiga na hora de comer caracóis esmagados contra uma rocha ou uma superfície pedregosa para tirar a carapaça protetora. E pirilampos injetam seus ovos no corpo mole dos caracóis de modo que quando as larvas nascem se alimentam de seu corpo. Mas o principal é a desidratação, tanto que morrem se colocarmos sal neles. Que ideia horrível. Eles são protegidos da desidratação por um muco tão importante que pode selar a concha e que pode até consertar alguma rachadura, gerando um caracol craquelê ou um caracol remendado.

Resistindo a todos esse fatores um caracol pode viver de 5 a 10 anos. Num jardim uma maneira de evitar caracóis é o uso de plantas de cheiro, calêndulas, papoulas, cosmos e alfazemas. Pretendo margear todo meu quintal com alfazemas e lavandas para fazer sachets e distribuir como presente em cada natal.

Em Portugal são chamados sinônimos do verão provavelmente nas placas dos restaurantes, porque na verdade gostam de dias úmidos e clima ameno, dos crepúsculos e das noites quando o seu corpo hermafrodita canta doces canções de amor à sua própria metade corporal.

O caracol anda com a casa às costas. Um velho ditado esse e também mote de advinhações para crianças. A concha abriga os órgãos e é uma proteção extra contra a desidratação. Em condições adversas, o caracol recolhe o pé e a cabeça para dentro da concha.

Algumas pessoas colecionam esses bichinhos em terrários. Bebem água, absorvem água no seu corpo e gostam de folhas, alfaces e frutas como morangos.

Nós que cuidamos de jardins é que não gostamos de caracóis babadores.

Há uma coleção de pequenas poesias infantis sobre caracóis e no meio de várias populares achei um poema de García Lorca!

Uma foto da parreira crescendo desesperadamente mas sem frutos.

Folhas roídas, comidas, arruinadas.

Minha preocupação agora é descobrir qual a praga que come as lindas e belas folhas das minhas três parreiras que aparecem cheia de furinhos e de enormes furos. Em geral são larvas (que não vi) ou insetos principalmente vespas, o que tenho visto por perto. Esse ano foi um ano de muitas folhas e poucas uvas. Os portugueses dizem: muita parra, pouca uva. É lindo porque as folhas estão subindo e começando a dar sombra mas não vou ter as uvas que tive o ano passado. Até agora só vi três minguados cachinhos delas.

Referências das canções e poemas:

1 -http://www.pragentemiuda.org/2007/01/poemas-quadrinhas-e-parodias-caracol.html#ixzz4Hy3E0mgP

“Como custa o caracol,

Quando sai do seu cantinho:

Sete dias ele leva

Para andar um bocadinho!

 Lá vem ele vagaroso,

Pela relva se movendo.

Eu, se fosse caracol,

Só queria andar correndo."

 2 - Lá vem o caracol

Lá vem o caracol,
Caracol, caracol.
Estica sua ateninhas,
Pra quê? Pra tomar sol!
 
Lá vem o caracol,
Andando bem devagar...
Carrega sua casa nas costas,
Pois não tem onde morar!

  

 

 

Balada del caracol negro. Poema de García Lorca

3 - Caracoles negros.

 

Los niños sentados 

escuchan un cuento.

El río traía

coronas de viento

y una gran serpiente

desde un tronco viejo

miraba las nubes

redondas del cielo.

Niño mío chico

¿donde estás?

Te siento

en el corazón

y no es verdad.

Lejos esperas que yo saque

tu alma del silencio

Caracoles grandes.

Caracoles negros

 

 

 
 
 

Comentários

Cristiana Almeida
23/08/2018

Não sei como me livrar dos caracóis. Como eles comem as plantas eu simplesmente jogo eles longe numa área de plantas fora do jardim. Eles gostam de sombra e morrem no sol. Encontro muitas cascas de caracol e eles já estão ressecados pelo sol. Não mato caracol porque são da natureza. Não como também, primeiro porque nem gosto e depois porque não sei as espécies possíveis de comer. É mania em Portugal nos restaurantes. Jogue eles longe das suas plantas mas não tem como exterminar.

JOSEFA DE JESUS CABRAL DE JESUS CABRAL
22/08/2018

na minha casa em Curitiba Parana no meu jardim apareceu uns caracol da ponta quebra e so mexer na terra que eles aparece ,quero acaba com eles como faço isso obrigada

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