BLOGUEIRA

CRISTIANA ALTINO DE ALMEIDA

Médica especializada em Medicina Nuclear e Endocrinologia. Uma habitante a mais de Evoramonte onde vivo com Jan Kremer, jornalista e escritor holandês. Escolhemos Portugal para viver parte do ano. Outra parte pretendemos passar no Brasil, na Holanda e viajando. Queremos aproveitar nosso tempo priorizando qualidade de vida.

MAIS SOBRE INGLATERRA
III - CAMINHANDO EM LONDRES: OUR WALKING DAY.
Esse foi o nosso “walking day”. Não que não tivéssemos andado igualmente nos outros dias passados e futuros. Londres &e...
II - UM DIA AO LONGO DO TÂMISA
Fizemos mil planos. Acordar e visitar o British Museum e mais alguns lugares turísticos em Londres. De manhã sempre acordamos ...
I - NOSSA CASA EM NOTTING HILL 2015
Cheguei em Londres perto de meio-dia. Era como estar no aeroporto de São Paulo – uma enorme fila para achar um taxi. Perguntei: onde ...

III - CAMINHANDO EM LONDRES: OUR WALKING DAY.

QUARTA-FEIRA, 21 DE OUTUBRO DE 2015

Esse foi o nosso “walking day”. Não que não tivéssemos andado igualmente nos outros dias passados e futuros. Londres é andar e andar, descer escadas rolantes ou não e andar de metrô.

Harrod's, a fachada da loja mais tradicional de Londres.

Mas primeiro fomos a Harrods! Exatamente igual ao que lembrava dessa loja bonita e formal. Très chic! Jan comprou uma bolsa de viagem para colocar nas costas. Eu comprei um ursinho inglês da Harrods para Bruno, meu neto caçula carioca. Não ficamos de sessão em sessão olhando tudo. Subimos todos os andares, o hall egípcio mas não vi o memorial à Diana e a seu namorado. Acho que soube disso depois.
A Harrods é a mais luxuosa e exclusiva loja de departamentos do mundo, segundo os ingleses, localizada na rua Brompton Road em Knightsbridge. Pelo menos é a maior loja da capital inglesa. O lema da Harrods é Omnia Omnibus Ubique, que significa "All things for All People, Everywhere" ou todas as coisas para todas as pessoas em qualquer lugar" o que teoricamente é correto e democrático mas não verdadeiro. Qualidade sim, mas os preços condizem mais com a qualidade que com a popularidade. Sempre passeio na loja do aeroporto de Lisboa e pelo menos faço um lanche lá. Lembro da Harrods também pelo "Food Hall" com restaurantes de várias cozinhas de todo o mundo.

Jan Kremer, meu amor, puro charme inglês.

Atualmente visito a loja pela Internet, já comprei alguns mimos lá e por isso recebo sempre os belos e caros catálogos .

A loja existe desde 1834 e mudou-se para o local atual em 1849. Foi comprada em 1985 por Mohamed Al-Fayed por seiscentos e quinze milhões de libras e vendida em maio de 2010 por um e meio bilhões de libras ao grupo Qatar Holding. Lembrem que Dodi Fayed, filho de Mohamed era o namorado de Diana, princesa de Wales e em memória deles dois memoriais foram construídos. O primeiro na base da subida para o piso egípcio com foos do casal, uma anel de noivado e uma taça com marca do baton da princesa. O segundo bem mais bonito chamado de "Innocent Victims", uma estátua de bronze dos dois dançando numa praia sob as asas de um albatroz, um pássaro símbolo do Espírito Santo. Al-Fayed quis manter vivo o espírito dos dois jovens e trágicos enamorados.

"Innocent Victims", Diana e Dodi Fayed.

A ala de roupas em estilo egípcio. Bonito?

Um estranho contraste entre os maravilhosos objetos e lindas roupas à venda nessa enorme loja de departamento e o mau gosto da decoração.

As coincidências são engraçadas. Sentamos num café em frente a Harrods. O garçon era português e logo descobriu meu sotaque de brasileira. Não tinham mais pastéis de nata, que incrível, em Londres. Mas tinham um autêntico mil folhas francês. Adoro chocolate quente em na Europa. O sabor do leite e do chocolate e o quentinho que se espalha por dentro. O café é realmente bom nessa cidade e tínhamos café brasileiro forte em casa.

Saindo da loja e como sempre nesse dia andando.

Como sempre acontece percebi que não tinha minha câmera, achados e perdidos de novo na Harrods, que cor é sua câmera, verde of course e pronto. Quando pensava de novo em perder todas as fotos de Londres tinha vontade de chorar. De novo porque quando estive em Londres nos idos dos anos setenta tiramos três rolos de fotos e perdemos todas as fotos, não enroladas corretamente na máquina nova. Seria de novo uma cidade sem imagem, só memória que não pode ser mostrada.

Achados e perdidos, melhor achados já que achei o perdido.

Quase não encontramos londrinos em Londres. Não era londrina também. Na Harrods, um era russo, o outro era colombiano. Esse tinha terminado os estudos e estava tentando juntar dinheiro para voltar para Cartagena, sabendo que seria difícil voltar. Em geral, o povo é extremamente amável e solícito o que não fazia parte da minha lembrança. Surpreendentemente amáveis.

Então em vez do pela segunda vez adiado British Museum fomos andar no Hyde Park. É lindo. Estava frio mas como sempre, nesses dias de nossa estadia,  com sol e céu completamente azul. Andamos, andamos e andamos. Por que um parque é um parque e é um parque. Não me importo de usar inspirações de outros escritores porque não pretendo ser original. Acho que fizemos toda a volta do parque, sentando às vezes naqueles banquinhos de madeira dos filmes ingleses. A paisagem estava mais linda ainda porque era outono. Vocês sabem, folhas amarelas no chão, árvores amarelas ou vermelhas. No período mais bonito do outono, quando as árvores ainda não estão desfolhadas.

O lindo Hyde Park e sua natureza exuberante e ainda verde.
 
Sentando numa pausa para descanso e para curtir melhor a beleza em torno.
 
Sentada num banco típico inglês. Muito séria também, que estranho.
 
Meu banco inglês predileto. Quero um no  jardim da nossa casa, um dia, em algum lugar.
 
Acho que esse banco lembra o final do filme de Julia Roberts, um lugar chamado Notting Hill, como traduzido em português, uma tradição brasileira que abomino. Minha memória falha, porque havia um banco que não era aquele belo que fotografei no Hyde Park.
 
Final do filme, mas o banco não é o mesmo. O jardim deve ser próximo de Notting Hill.
 
 
O amarelecendo implacável do outono do outono.
 
O Hyde Park é um dos maiores parques em Londres e um dos Royal Parks of London. Famoso também pelo Speakers'Corner. Não ia querer fazer uma preleção lá, nem um semão, nem um discurso político. Não tinha porque protestar. O parque é contíguo com o Kensington Gardens, separados desde 1728, tecnicamente. Juntos seriam 253 hectares, uma área maior que a do principado de Mônaco, por exemplo. Mas menor que o Bois de Boulogne em Paris ou o Central Park em New York. O parque é dividido em dois pelo Serpentine e pelo Long Water.
Na Europa descobrimos como o Novo mundo é novo porque o parque foi criado por Henrique VII para suas caçadas  em 1536, mas foi aberto para o público só depois de 1637. Paisagistas criaram os cursos de água que embelezam o parque, o "Serpentine" separado do "Long Water" por uma ponte construída em 1826. Para a grande exibição de 1851 foi construído lá dentro o palácio de Cristal (Crystal Palace) na parte sul, tirado do local a pedido do público. A entrada do parque é bela e imponente, conhecida como Apsley Gate, com colunas jônicas e entradas para carruagens e para pedestres. Nós saímos por essa bela entrada.
The Long Water.
 
A ponte que separa o Long Water do Serpentine.
 
Um patinho bucólico na beira da lagoa.
 
Patos e gansos alimentados, mas não por mim.
 
Uma vez distribui pedaços de pão para uma enorme quantidade de patos num dos parques em Boston. Eu e minha irmão Ana Lúcia. A comida acabou e eles nos seguiram por todos o parque.
 
Paisagem sempre bela, exuberante e verde.
 
 
Caminhando e amando: a natureza, o parque, a vida.

 

 
Outra vista bonita, fotografada de outro ângulo.
 
Andamos tanto que quase chegávamos em casa. Na realidade pegamos o metrô apenas duas estações antes da nossa, em Marble Arch. A nossa era Notting Hill Gate.

Cozinhando de costas para a sala.
 
Surpreendida pela foto.
 
 
 
Nossa estreita e organizada cozinha em Notting Hill.
 
A casa de Notting Hill era cheia de guias e mapas mais os que Jan tinha trazido. Os meus esqueci em casa, no Brasil. Mas tinha notas e por essas notas descobrimos um concerto na igreja de Saint Martin–in-the-Fields. Na sexta à noite, à luz de velas. Water Music, Handel, o compositor predileto dele.  Jan comprou os tickets por telefone.
Dia de andar, segundo dia de filé! No primeiro dia com spaghetti e manteiga.
Nesse dia com batatas e cenouras caramelizadas.
 
Apêndices:

 

Apsley Gate, entrada do Hyde Park.

Vista aérea do Hyde Park e de Kensington Gardens.

Vista aérea do Hyde Park e de Kensington Gardens.

Essa foto mostra perfeitamente a divisão entre os dois parques pelos cursos de água Serpentine e Long Water, separados eles mesmos por uma ponte. Dá também ideia do tamanho e da exuberância desse parque no coração de Londres. E dá uma ideia do quando andamos nesse dia dedicado às belezas da natureza.

Comentários

Ainda não há comentários para este artigo.

Deixe o seu comentário

Nome
E-mail
Mensagem